terça-feira, 22 de novembro de 2011

Novo blog

Olá, pessoal!

Estou mudando o endereço deste blog. A partir de agora, acessem em www.tiagovelasco.wordpress.com.

Isso aqui fica no ar mais uns meses, mas as atualizações agora serão por lá. Além disso, há novas seções, com minhas matérias (ainda não tem tudo), os links para a compra dos meus livros e, até, um link para baixar gratuitamente o "Prazer da Carne", meu livro de contos publicado em 2008.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Autopromoção 2

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lembranças de torcedor

Eu chorei no Maracanã. A lembrança hoje me faz dar risadas. Não da tristeza profunda, mesmo que momentânea, que senti naquele Flamengo e Botafogo. Mas do ingênuo fatalismo que me acometeu ao fim da partida. É que o empate em 2 a 2 levava a decisão da Taça Rio de 1991 para a partida seguinte. Nada estava perdido.

Talvez os 11 anos de idade justifique tal reação. É uma possibilidade racional. Não creio que seja verdadeira, apenas a hipótese mais fácil. Por trás do choro, estava a frustração. A certeza de que havia perdido a chance de ver o Mengão sair com o título. Mesmo que fosse apenas do turno. E é difícil lidar com a frustração. Há até aqueles que almejam pouco da vida ou são extremamente pessimistas para evitar a priori situações do gênero.

Aliado a isso, estava a forma como o placar foi construído. O Flamengo, time de melhor defesa da competição, já havia marcado duas vezes ainda no primeiro tempo. O segundo gol, por sinal, contou com a contribuição do goleiro alvinegro, que aceitou um chute fraco de Zinho por baixo das pernas. O Botafogo, que tinha o melhor ataque, composto pelo goleador efêmero Chicão, pelo veloz Valdeir e por um Renato Gaúcho já em decadência, parecia não ter poder de reação para derrubar Júnior, Gaúcho e cia. Era a minha mais recente certeza de garoto.

Hoje, sei que uma das graças do futebol é derrubar certezas em no máximo 90 minutos. À época, isso não parecia correto. Era a minha quarta vez no Maraca, a segunda para ver o Flamengo e a primeira com chances de ser campeão. O sonho ruiu ao apito do juiz. E as lágrimas rolaram. Um rubro-negro mais experiente tentou me consolar, falou que o título viria na próxima partida.

A tranquilidade até me passou segurança de que ele dizia a verdade. Mas não importava. Eu não estaria novamente no Maior do Mundo para presenciar o feito. E eu continuei chorando no Maracanã.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Festa punk

No Facebook, uma telinha indicava um clipe de uma banda. Era mais uma sugestão de um amigo que só tenho no mundo virtual. Ele merecia crédito. Já tinha acertado em cheio nas duas outras setinhas que cliquei para dar início a filmetes musicais.

Play. Um impacto. Daqueles que deixam qualquer um atordoado. Algo que a música, de tempos em tempos, faz comigo. Mas, desta vez, foi uma porrada das mais afetivas. E afetuosas.

Tal qual mulher de malandro fui jogado para longe pelo ímpeto sônico-temporal que reverberou em meus diminutos fones pretos acoplados ao PC do trabalho. Fui levado para fins dos anos 90. 1997, em um chute bem dado.

Foi quando ganhei um K7 de um amigo da escola. Nele, em cada um dos lados, estava escrito a caneta Bic azul os nomes Rancid e Bad Religion. Atrás, em pautas estreitas, uma série de canções punks destas bandas.

Mas – e é um “mas” feliz, depois fui saber – nenhuma das músicas gravadas naquela fita magnética correspondiam às inscrições. Não havia Bad Religion nem Rancid. Somente uma série de músicas sensacionais, de grupos distintos e totalmente desconhecidos para mim. E assim ficaram por muito tempo, mesmo sendo ouvida quase que diariamente no meu walkman, no caminho de casa para a faculdade.

Nestes anos, minha primeira revelação foi que a maior parte daquelas faixas era dos ingleses do Buzzcocks. Soube ao assistir a um antigo programa do João Gordo na MTV. “Do it”, o clipe que revelou a paternidade de 75% daquela Basf de 90 minutos. E Buzzcocks passou a ser uma das minhas bandas preferidas durante anos e anos.

Pouco tempo depois, ao comprar um CD por causa de “In the City”, fiz outra “descoberta”. Havia The Jam naquela compilação que habitava o toca-fitas portátil. Era “Modern World”, bela faixa mod-punk.

E, hoje, o Facebook foi responsável por reavivar qualquer nesga de lembrança daquela fitinha que ainda havia em alguma sinapse mal conectada de meu cérebro. “Emergency”, do 999, veio em decibéis via banda larga me roubar – ou seria me dar – 14 anos de vida, jogando-me em uma ex-realidade límbica.

Era a música a ser desvendada na minha fitinha.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um goleiro no divã

“Eu vou lhe avisar/ eu vou lhe avisar/ goleiro não pode falhar/ não pode ficar com fome/ na hora de jogar/ se não é um frango aqui/ um frango ali/ um frango acolá”. Os versos de “Goleiro (Eu vou lhe avisar)”, canção menor do mestre Jorge Ben Jor, invariavelmente ecoam em minha cabeça, do nada, como se o meu cérebro tivesse sido acometido por eletrochoques que reativam memórias até então relegadas ao meu subconsciente futebolístico.

Sim, minha carreira de goleiro foi marcada por alguns frangos é..., como diria..., bizarros. Não o suficiente para estragar os meus méritos no gol, como um bom reflexo e saídas corajosas nos pés dos atacantes. Mas não tem jeito, os frangos sempre serão lembrados, talvez porque na derrota, a massa de fanáticos frustrada necessite de um Judas. E o goleiro, aquele jogador de uniforme diferente, é o alvo preferido, em sua fragilidade única.

Recordo-me de uma semifinal de campeonato da faculdade, quando o meu time, o grande ganhador da pré-temporada, sucumbiu no Gol de Ouro, embora, neste caso, a expressão Morte Súbita caia como uma luva repleta de penas. Apesar de a bola ter desviado na barreira, o que a tirou do meu alcance, o gol matador parecia esfregar na nossa cara que não era preciso derrota tão dramática se, no tempo normal, eu, o goleiro, não tivesse deixado passar aquela bola chutada despretensiosamente do meio-campo. De tão fácil, errei o tempo de bola e saltei antes de a pelota passar entre a minha mão e o travessão.

Deixem os galináceos comuns a todo goleiro para lá. Não foi para isso que comecei a escrever esse texto. Esta crônica tem uma outra função. Psicanalítica, até. Estas linhas, hoje, me servem não só para despejar memórias e verborragias aos borbotões. É uma crônica-confissão. O repositório de um segredo que, finda a minha função de goleiro, posso contar, embora alguns companheiros de gramados e quadras já tenham percebido.

TENHO MEDO DE BOLA FORTE! (pausa dramática, sobe som para criar um clima de ênfase, impacto)

Sempre tive, mas consegui camuflar por um longo período. Certo dia, durante um treino da seleção do colégio, o meu segredo foi revelado. O guarda-metas titular (eu era o reserva), enquanto aguardava seu momento de participar do treinamento, ficou longos minutos gritando para o atacante, em tom de galhofa: “Chuta forte! Chuta forte, porque o Tiago tem medo!”

E o bombardeio começou. Então, eu, de goleiro, passei a alvo.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Herói solitário

Posts atrás, os colegas de blog Helmut Leopold e Saulo Campos lembraram da posição ingrata que é a de goleiro e da parca habilidade com a bola nos pés, respectivamente. Eu, com uma inveja do bem, resolvi fundir os dois assuntos. Brincadeira! Não é inveja. É que as linhas dos companheiros de texto me lembraram da minha curta “carreira” sob as balizas da escolinha de futsal do Flamengo, em fins dos anos 1980, quando eu estava no auge dos meus 8 anos de experiência de vida.

Não sei bem o motivo, mas naquela época, eu e meus dois grandes amigos disputávamos para saber quem seriam os goleiros no futebol do recreio. Talvez, fossem as camisas de mangas longas com partes acolchoadas, as luvas emborrachadas, os saltos arrojados necessários para fazer uma grande defesa ou a completa inabilidade para fazer uma boa jogada na linha. Pode ser. Mas acredito que víamos naquele jogador solitário o caráter heróico inerente à posição. O grande arqueiro é aquele que evita o que a torcida adversária espera ansiosa, que impede o grande momento do futebol de forma solitária, um verdadeiro mártir.

A digressão foi para tentar explicar o porquê de o menor jogador de toda a escolinha, eu, ter escolhido, orgulhoso, ser goleiro. E isso, sem nem ao menos conseguir alcançar o travessão.

Assim que comecei a treinar, o Flamengo resolveu fazer uma competição interna. Todas as turmas da escolinha foram divididas em várias equipes, batizadas, cada uma, com nomes de países africanos. Era a primeira vez que ouvia falar em Zâmbia, Zaire, Camarões, Namíbia (achava o nome esquisito, mas o meu maior medo era um jogador grandão que tinha um petardo poderoso)... O meu time, se não me engano, era o Marrocos.

Terminamos o campeonato em penúltimo lugar. Também, o meu beque parado era japonês – além de não falar uma palavra em português, ficava o jogo inteiro pulando, abrindo e fechando as pernas, como que fazendo polichinelo. Havia um outro que ia embora no meio do jogo, parecia que sempre tinha um compromisso mais importante do que a partida... Não era um grupo dos mais comprometidos, como se pode ver, e, certamente, não teria um jogador sequer convocado pelo Dunga.

Apesar das seguidas derrotas – só vencemos duas partidas –, tenho ao menos uma recordação que me enche de orgulho, quando encaixei um chute à queima-roupa do gigante da Namíbia. Fiquei uns bons segundo sem ar, achando que ia morrer agonizando no meio da quadra. À medida que a respiração voltava ao normal, ouvia as palmas vindas da arquibancada. Pais, mães, avós, irmãos e babás aplaudiam a grande defesa do pequeno goleiro, como se presenciassem ao vivo o mito bíblico de Davi e Golias em plena sede rubro-negra da Gávea. Era a glória.

Desde então, tenho consciência de que eu sou mais importante no gol do que em qualquer outra posição. Fui goleiro da seleção do colégio, do time da faculdade, mantendo a minha regularidade incrível de excelentes defesas e frangos homéricos. Se o Dida, o Marcos e o Júlio César podem, por que eu seria diferente?