Já faz alguns textos que usei a expressão "cumplicidade velada". Na ocasião, falava de uma característica que observei entre os que frenquentam bares e botecos. Era algo que estava no ar ou nos corações. Não era dito, mas estava lá. E todos pareciam comungar desta ideia. A cumplicidade entre habitués dos botequins não precisa de externalizada oralmente. Ela apenas existe. E isso basta.
O preâmbulo foi para falar que, novamente, a cumplicidade velada apareceu de tal forma à minha frente, com tamanha clareza, que quase deixou o seu status de velada. Diria até que ela teve seu momento velada e, aos poucos, passou à escancarada.
Estou falando da aura pré-jogo do Flamengo ontem. Os cidadãos do Rio, ao envergar sua segunda pele, a rubro-negra, estavam dizendo a todos, sem ao menos precisar soltar uma nota pela boca, que estavam felizes e ansiosos pelo hexa iminente.
Ficava evidente nos sorrisos trocados entre flamenguistas desconhecidos. Uma simpatia que tinha motivo único. E que fez, por algumas horas, grande parte dos cariocas se sentirem parte de uma mesma coisa, com apenas um objetivo. O hexa estava perto. E todos sabíamos!
* * *
Hoje, a cumplicidade, velada ou não, cruzou novamente o meu caminho. Vi uma turma de jovens colegiais, de 12 ou 13 anos, andando na rua. Pareciam ir para uma sessão de cinema com a escola, aqueles passeios que todos gostávamos. O bacana foi ver, entre eles, uma felicidade transbordante. O motivo estava nas camisetas: do Flamengo, do Botafogo, do Fluminense.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário