segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dança da chuva

Um dos primeiro atos do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi acabar com o contrato que seu antecessor, Cesar Maia, tinha com uma empresa/entidade indígena cujo objetivo era afastar as chuvas da cidade em ocasiões especiais, como o réveillon. O fim do contrato não durou muito e logo EP refez o acordo com o(a) Cacique Cobra Coral. Afinal, ele não queria ser conhecido como o prefeito que deixou a cidade sob águas justamente na festa de Ano Novo. Imagina a queima de fogos na Praia de Copacabana, que abriga dois milhões de pessoas, entre turistas e moradores da cidade, ser um fiasco por causa de materialismos bobos?

Mais uma vez, os serviços do(a) cacique Cobra Coral se mostraram eficazes, e a passagem de ano transcorreu sem chuva e com muita alegria. Não podemos, no entanto, deixar de notar que se Copacabana passou a seco, outras regiões do estado sofreram com um terrível dilúvio. Foi o caso da Baixada Fluminense e de Angra dos Reis, como temos acompanhado no noticiário.

Diante deste quadro, temos que questionar algumas atitudes dos nossos governantes: se o(a) cacique Cobra Coral tem um trabalho tão bem feito e importante, vide sua perpetuação em governos diferentes, por que o governador Sérgio Cabral também não fez um contrato com a entidade indígena? Vão precisar morrer mais quantas pessoas para que isso seja feito?

No entanto, não devemos ser ingênuos quanto à atuação do(a) Cacique Cobra Coral. Será que em vez de exterminar com as chuvas na capital, ele precisava, também, desviar a chuva para outras áreas – e de forma tão violenta? Será que as tempestades na Baixada e em Angra não fazem parte da estratégia de assinatura de novos contratos, à semelhança do modus operandi de grupos de segurança, que muitas vezes praticam atos violentos para justificar sua contratação?

O fato é que algo precisa ser feito. Não é possível pessoas continuarem morrendo por causa das chuvas de verão. O problema é que tenho a sensação de que nem o(a) Cacique Cobra Coral será contratado para outros municípios nem qualquer providência será tomada. Não é pessimismo, mas é que a Baixada fica tão longe de Copacabana...

3 comentários:

Anônimo disse...

Rapaz, não tinha pensado nisso... Será que estamos diante de um novo complô pluviométrico, de uma nova indústria das catástrofes naturais semelhante à que exterminou o fumacê para nos obrigar a comprar mais inseticida?

Tiago Velasco disse...

Anônimo, quem é vc? me dê uma luz!...rs
Opa, já está parecendo roteiro de filme hollywoodiano. mas que esse cacique Cobra Coral está sendo mal utilizado, isso está.
abs,

Helmut disse...

Acho que o cacique só tira a chuva do lugar mesmo. Isso de "transferir" a chuva pra outro lugar é coisa das nuvens...

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